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segunda-feira, março 06, 2023

NINA MARIA E OS SAPATOS DA CASA TODY

Oi, pessoal! Faz tempo que eu estava querendo aparecer por aqui, mas as correrias do dia-a-dia somadas a uma sequela bizarra de Covid que aprisionou metade do meu vocabulário em um compartimento muito escondido do meu subconsciente me impediram. Não entrarei em detalhes sobre o stress das negociações com o meu cérebro para recuperar as minhas células de cronista, isso fica para outro dia porque o foco aqui é a minha mãe. Hoje ela completaria 75 anos, então resolvi prestar a minha homenagem com uma historinha.

Começarei explicando, para quem não é daqui, que existe em São Paulo uma loja muito tradicional de calçados, que já atendeu inúmeras gerações de paulistanos durante os seus setenta anos de funcionamento. Inaugurada em 1953, a Casa Tody tornou-se famosa por seus sapatos infantis com preços acessíveis, e também por sua numeração diferenciada, que acrescentava aqueles famosos 0,5 pontos que volta e meia fazem toda a diferença para o calçado não apertar ou sobrar em algum pé.

A nossa família sempre sofreu por calçar números inexatos, então somente na Casa Tody encontrávamos aquela sandália, tênis ou afim que nos serviria confortavelmente.

Consta que essa passagem aconteceu lá pela segunda metade da década de 1950. Mamãe estava com uns sete ou oito anos e precisava de sapatos novos. Minha avó estava ocupada com os preparativos para uma festa de aniversário, a casa deles não era exatamente próxima da Rua Augusta, onde até hoje fica a loja, então ela passou para o meu Vô Dino a incumbência de pegar o ônibus para levar a filha às compras. Chegando à Casa Tody, meu avô conduziu diretamente a pequena Nina para a vitrine onde se encontravam os modelos de calçados que a Vó Lucy recomendara. Um vendedor, que já os atendera outras vezes aproximou-se:

— Boa tarde, o que desejariam comprar?

— Este aqui – mamãe escolheu, indicando um par de botinas pretas.

— Mas filha, você não acha melhor aquele outro? – Vovô apontou para um sapato estilo boneca.

— Não, a bota é muito mais bonita – ela insistiu.

Vô Dino tentou novamente dissuadir a filha. Sua missão era clara: comprar calçados de festa para o aniversário do dia seguinte. Porém, mamãe continuava irredutível. Sapatos novos eram desconfortáveis e machucavam muito, ao contrário da botinas de liga, que não apenas encaixavam-se perfeitamente nos seus pés, como também eram ótimas para brincar com as primas durante as férias em Catanduva.

Muito aflito, meu avô tentou a última cartada que poderia fazer a filha mudar de ideia. Virou-se para o vendedor:

— Por acaso você já viu alguma menina que usa vestido junco com botas de montaria?

— Sim – o homem respondeu, prontamente. E apontou para a mamãe: – aquela ali.

Quando voltaram para casa, o Vô Dino levou uma baita bronca da esposa, que sempre fazia questão de ver toda a família muito elegante. Por fim, Vó Lucy resignou-se. A compra já estava feita, então só restava dar um jeito de fazer tudo combinar. Engomou com esmero a fita que enfeitaria o cabelo da filha, e depois separou uma calça rancheira, que não era exatamente a peça de roupa mais adequada para uma festa de aniversário, mas pelo menos formaria conjunto com as botinas pretas.

 

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Manhê, obrigada por existir. Você sempre foi autêntica, usando botas e calças numa época onde a moda para as mulheres ditava o contrário. Obrigada por me ensinar que está tudo bem pensar fora da caixinha e que, desde que não prejudiquemos ninguém, não há problema algum em ser diferente.

Não sei exatamente como aniversários funcionam aí em cima, mas espero que a festa seja imensa, e que dê para terminar de matar as saudades daqueles que você ainda não tinha reencontrado porque estava falando pelos cotovelos.

As saudades aqui são imensas, mas agora consigo entender o que você queria dizer com “a gente se acostuma”. Ainda há a dor, mas as lembranças doces que temos de você ajudam a suavizar o sofrimento.

Muita gente apareceu para deixar mensagens pelo dia de hoje, e isso também acalenta demais o coração. Emociona demais ver o quanto o simples fato de você existir marcou tantos à sua volta.

Se sentimos a sua falta, é porque a sua presença aqui nos fez muito felizes.

E pode ter certeza de uma coisa, Manhê.

A sua alegria de viver mora agora no meu coração e estará presente por todos os dias que ainda percorrerei por aqui.

Um beijo enorme, minha querida.

Eu te amarei eternamente.

 


Vó Lucy, Tio Célio, Vô Dino e mamãe, usando calça rancheira e as botas que ela tanto amava. Retrato tirado aproximadamente no final da década de 1950.

 

quinta-feira, novembro 03, 2016

NA ÉPOCA DA ESCOLA...

Ontem à noitinha, numa pausa em meus trabalhos, fui checar as mensagens e descobri da partida, repentina e prematura, de um colega meu de escola. Nunca chegamos a ser próximos pelo único e exclusivo fato que eu, adolescente super tímida que vinha de 4 anos de uma turma só de mulheres, conseguir interagir com meninos mais ou menos como se fosse fazer contato com extraterrestres.

Mas achava o Sergio um cara muito legal. Era uma daquelas pessoas divertidas, inteligentes, que volta e meia aprontava as coisas mais engraçadas, e com a cara mais séria do mundo. Conseguia levar advertência por estar cacarejando em aula. Outra vez ficou distraindo um colega na janela da sala pelos primeiros 15 minutos de uma aula de Matemática, até o professor perceber e mandar os dois se sentarem. Fazia graça pelas costas dos professores mas quando o pegavam, assumia o que tinha feito. Com tudo isso, ainda conseguia ser nosso monitor de classe.

Um dia, nós tínhamos que fazer uma prova de Geografia. Nossa turma meio que era o "terror" daquele ano, e a professora não gostava muito de dar aula para a gente. Nós, adolescentes, também não tínhamos muita paciência com ela por ter sido professora de metade dos nossos professores. Fizemos a prova da Olga e foi tudo normal até o primeiro aluno terminar. Ele entregou a sua folha para a professora, foi abrir a porta para sair da sala, e...

- Professora, a porta não abre.
- Como não abre?
- A porta está trancada.
- Não, não pode estar trancada. Tentou virar a chave?
- Não dá, a chave sumiu.
- Como SUMIU?
- Não está aqui.
- Ah meu Deus.

Nisso o segundo aluno já havia terminado a prova:
- Professora, a porta está trancada mesmo.
- Então tenta chamar alguém pra abrir!

E começou um desespero geral: estávamos trancados na sala, SEM CHAVE, justo com a Olga, enquanto a Olga se desesperava por estar trancada JUSTO com a gente. Enquanto alguns alunos tentavam chamar a atenção de alguém do lado de fora, pelo vidro da porta, os que iam entregando as provas ficavam aglomerados em um canto. Foi uma confusão geral, que só terminou uns 15 minutos depois com um funcionário da escola abrindo a porta e nós levando um baita "sabão" do diretor do prédio, pois "é claro que isso TINHA que acontecer com o Básico G".

Depois que soubemos. O Sergio queria colar na prova. E, pra isso, bolou um plano: esperou alunos e professora entrarem na sala, disfarçadamente trancou a porta e jogou a chave pela janela. Conforme foi se armando a confusão, como ninguém prestava atenção em mais nada, ele conseguiu colar com toda a tranquilidade do mundo.

É, cara... você foi inesquecível. Obrigada pelos momentos em que, mesmo sem saber, me fez rir muito.

sábado, outubro 03, 2015

MALITOLA

Em meu perfil do Facebook gosto de exercer o meu lado "criança de 45 anos", "terapia" que me relaxa e me deixa com mais disposição para cuidar de assuntos mais sérios fora da internet. Todo mês de outubro, brinco com fotos antigas e aproveito para contar histórias de minha infância. Apesar de não ter mais ninguém comentando neste meu canto, eu tenho muito carinho por ele. Sendo assim, copiarei aqui as histórias que vou compartilhar lá no Face.

Vamos à primeira, quando eu tinha mais ou menos a idade em que estou nessa foto.

Passei a grande maioria dos finais de semana da minha infância no sítio dos meus avós, em Itatiba. Boa parte da viagem pela Rodovia Anhanguera, com suas duas únicas pistas. Na década de 70 tínhamos bem menos carros que hoje em dia, mas mesmo assim muitas vezes pegávamos um congestionamento enorme.

Eu sempre tive muito problema de enjoo e quando pequena era pior. Tínhamos um pediatra maravilhoso, o Dr.Saldiva que, consultado pela minha mãe, receitou um bom remédio para o meu problema: distração. "Vocês gostam de cantar, não é? A Luciana gosta de música, certo? Cantem durante a viagem que ela não vai enjoar." E assim tínhamos todo um repertório, que passava pelas músicas dos Demônios da Garoa, todas as infantis, "My Bonnie Lies Over the Ocean" e outras coisinhas. Desde que cantássemos sem parar, eu não enjoava. E viajávamos em paz.

Ou quase.

Porque em um determinado fim de tarde, eu lá com meus dois ou três anos, consegui voltar chorando sem parar quase que todo o trajeto Itatiba-São Paulo em uma viagem pra lá de congestionada. Tudo isso porque eu queria que a minha mãe cantasse a "Malitola". É claro que ela não fazia ideia a que música eu estava me referindo e foi tentando todas que sabia. A cada música que ela errava, eu chorava mais alto. Existe uma lei do destino que diz assim: "se em uma viagem pra lá de longa sua filha resolver chorar por conta de uma música que você desconhece, você só descobrirá a bendita música no final de sua viagem." Já havíamos entrado em São Paulo quando a mamãe descobriu. Já em desespero, ela começou:

- Um pobre pelegrino que anda de porta em porta pedindo uma esmola, pelo amor de Deus...
- É essa, mamãe!!! A Malitola!
- Mas onde tem Malitola, Lu?
- Ué, mamãe: um pobe peleguino que anda de póta em póta pedindo "Malitola" pelamôdeDeus.

Porque, pela minha lógica de criança pequena, eu amava a música que era em homenagem à minha prima Maria Paula, ou "MaliPola", como eu conseguia chamá-la.

Para quem ficou com pena de meus pais, anos depois eles foram vingados. Outra lei do destino é que o que aprontamos durante nossa infância será retribuído no futuro, através de filhos, sobrinhos, netos, etc. E nós sofremos em umas duas horas de congestionamento entre o bairro de Vila Olimpia, Zona Sul, e Vila Formosa, Zona Leste, com a nossa filha mais velha chorando a plenos pulmões que queria que nós tocássemos a música dos moços com as pessoas felizes. Que, depois de quebrarmos muito a cabeça, descobrimos que era "Shinny Happy People" do R.E.M.

quarta-feira, setembro 23, 2015

CRIANÇA INFORMATIZADA (HISTÓRIA ANTIGA)

 Minha filha mais velha nasceu em 95. Ou seja: na época de linhas fixas de telefone, em que não havia computadores em toda casa e muito menos celulares e internet. Além da parte de animação, o Vagner trabalhava com ilustração de livro didático e sentia a necassidade de um computador para ajudar a agilizar o processo. Minha avó paterna, que o adorava de paixão, deu um Mac de presente. Junto com o Mac, arrumamos um DVD que era lindinho, chamado "A Festa do Ursinho de Pijama". E tínhamos um horário em que a Ju ficava em nosso colo, apontando com o dedinho em qual bicho ela queria que clicássemos no tal DVD. Ela estava com pouco mais de um ano.

Não demorou muito, e um dia flagramos a Juliana nas pontas dos pés, tentando controlar o mouse para ver se ligava o computador. E achamos que seria melhor ensinar como é que fazia, antes que a menina quebrasse alguma coisa. Com a condição de que poderia brincar com o "ussinho" no "putadô" em períodos curtos, e no colo de algum adulto. E, com isso, acabou me gerando um grande trauma: em uma tarde, com menos de dois anos de idade, ela conseguiu aprender a mexer com o mesmo mouse que eu, aos 25, levei uma semana pra aprender a mexer. Pra quem já nasceu digitando parece engraçado, mas pergunte pra qualquer um que nasceu no período A.I. (Antes de Informática) a dificuldade que era mexer com aquilo. Pra quem mexeu com Excel, então, a loucura de conseguir clicar no canto de uma célula e conseguir transformar o "X magrinho" em "X gordinho".

Mas voltemos à nossa história. Conforme a Ju foi crescendo, já não precisando mais do colo de um adulto para alcançar, a condição de uso, fora o limite de horário, era de que tivesse algum por perto. Sim, o "putadô", na época, ficava na sala e, para alegria de nossa filha, as bancas de jornais começaram a oferecer DVDs com jogos para colorir, e ainda por cima do "Adíneis" (Walt Disney). Ela, então, já tinha uns três anos e pouco e se sentia "A Grande" por saber escrever o próprio nome, ainda mais quando essa mãe que vos escreve a ensinou como procurar as letras no teclado do Mac para digitar antes de começar seus joguinhos.

E foi assim que uma bela tarde, mesmo com horários reduzidos e adultos por perto, o computador ficou sem som. O Vagner conectou cabo, desconectou, ligou, desligou... e nada. Saiu procurando em todo o sistema. E, depois de mais de uma hora, descobriu qual era o problema: no diretório de som, havia uma nova pasta (obviamente sem som), chamada "JULIANA". É claro que nós, meros adultos ignorantes em informática, não fazíamos ideia de como criar uma pasta dentro do diretório de som. E então, perguntamos como que ela havia feito aquilo, e ela prontamente respondeu:

- Ora, mãe! Você não falou que era pra escrever o meu nome sempre quando aparece o "pauzinho" lá no quadrado pra "se escrever"? Então, apareceu o pauzinho e eu "se escrevi" lá!

Sim. Até hoje continuamos sem saber como ela conseguiu a façanha...

domingo, maio 08, 2011

A PEIXOLÂNDIA

Início da década de 1970. Era uma típica família paulistana, pai e mãe jovens e a primogênita, na época filha única, com uns três anos de idade. E, não sei se foi em alguma feira, festinha ou o que, a Menina ganhou um aquário com peixinhos.

Como toda criança, ficou encantada. Aqueles bichinhos eram lindos, nadando de um lado pro outro, de um lado pro outro. E deviam ficar bem cansados de fazer aquilo, então para preencher o tempo, a Menina os alimentava. Esses peixes tinham muita fome, era só colocar comida que eles nadavam até ela e acabavam com tudo. A Menina, prontamente, os abastecia com mais alimento, para que eles ficassem bem felizes. E por isso mesmo não entendeu a razão deles morrerem no dia seguinte. No alto dos seus três anos, não tinha como saber que enquanto há comida o peixe come. E que, se ele não para de comer, eventualmente estoura.

A Menina chorou muito. Não queria que seus preciosos peixinhos fossem retirados do aquário. E a jovem Mãe, num rasgo de inspiração que só surge em mães em via de desespero, saiu-se com essa:

- Lu querida, os peixinhos não podem ficar no aquário. Eles precisam ir pra Peixolândia, que é onde fica o céu dos peixes...

- "Pexolândia"? E o "pexinho" vai lá "po" "xéu" dele?
- Vai sim, filha, mas tem um lugar aqui em casa onde o caminho é mais rápido.

A Menina parou de chorar. Ela e a Mãe prepararam uma cerimônia muito bonita para os peixinhos falecidos, e os despacharam para a Peixolândia, cujo caminho mais rápido era através do vaso do banheiro.

E, assim, a Menina só voltou a ter peixes depois que teve idade para cuidar direito deles. Depois de casada, deixou a cargo do Marido, que tem mais paciência que ela. E a Peixolândia ficou na história, principalmente quando a Menina já crescida tornou-se mãe e também teve que ter seus rasgos de inspiração para sair de saias justas com as filhas.

Assim fica a homenagem à minha mãe e à sua inspiração súbita de me consolar com a história da Peixolândia. Hoje em dia só posso estar com ela, pessoalmente, poucos dias por ano e penso nela e no papai todos os dias do ano, mas hoje não poderia deixar de passar por aqui e deixar um beijo especial... Mãe querida, te amo demais, viu???

sábado, abril 16, 2011

A LARANJINHA AMIGA

Sim esse era o nome do brinquedo. Laranjinha Amiga. Clássico dos anos setenta, era muito comum entre as meninas da época e é claro que eu era doida para ter um!!! E a minha Laranjinha Amiga finalmente veio, não lembro bem se num aniversário ou no Natal. Eu tinha uns cinco anos, na época.

Graças ao google, consegui achar uma ilustração da Laranjinha Amiga em um blog muito bacana chamado Retromotoca. Linda, não é? Você tirava a tampa em forma de folha da cabeça da Laranjinha Amiga e colocava suco lá dentro, e o suco saía de uma torneirinha em seu tronco. Não consigo lembrar onde que apertava para sair o suco, acho que era na prórpia torneira.

Enfim, como vocês podem ver, a nossa Laranja Amiga nada mais era do que uma espécie de filtro de água sem filtro, um brinquedo altamente "divertido". A mamãe de vez em quando me deixava servir suco nela, para ela não entrar em falência, em geral me permitia usar para tomar água. E, assim, eu enchia a minha Laranjinha e quando tinha sede tomava água num dos copinhos que vinha junto com ela.

Uma tarde, na mamãe precisou levar meu irmão ao médico e pediu pra uma tia-avó minha, que morava lá perto, pra tomar conta de mim. Tia Dinguinha era prestativa, um amor, mas não sabia brincar com crianças. Assim, ela acabou dormindo no sofá e me sobrou a companhia da minha Laranja Amiga. Eu conversava com ela e tomava um copinho d'água. Conversava mais um pouco e tomava outro copo. Acabou a água, eu enchi o reservatório. E, aí, se deu o desastre: olhei para a mesa, vi que estava molhada. A torneira da minha Laranja Amiga estava vazando, pingava... pingava... e pingava... O que fazer??? A cabeça da minha Laranja estava lotada de água, a torneira não parava de vazar, ia inudar tudo. A minha tia estava lá até roncando, e eu sem coragem de acordá-la. Tive, então, uma ideia que achei brilhante. E, num ato de esperteza e heroísmo completos, coloquei o copinho debaixo da torneira e fui tomando toda a água, até esvaziar tudo. Mais de um litro, tomado em mais ou menos uns quinze minutos, copinho atrás de copinho. Quando minha tia acordou eu estava lá, com a mesa seca, a Laranja seca, a minha barriga cheia e eu com água saindo até pelos olhos. O resto do dia eu praticamente morei no banheiro, até conseguir eliminar aquela água toda.

Pior que não teve jeito. A torneira continuou com o seu vazamento e, com isso, o papel da minha Laranjinha Amiga foi enfeitar, toda sorridente, a prateleira do meu quarto, durante vários anos de sua vida. E, diga-se de passagem, com torneira vazando ou não, depois da minha "aventura", nunca mais tive coragem de servir "suco" na minha Laranja...

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Só para terminar. Na minha pesquisa atrás da fonte de onde tirei a foto ilustrativa deste post, fui parar no site do Motoca. Lá, entre outras coisas, há uma página obrigatória para aqueles da geração 70/80, com jogo de memória, brincadeira interativa do pequeno construtor e quiz sobre os anos 80. Para quem quiser conferir, o endereço é este aqui: http://retromotoca.wordpress.com

sexta-feira, dezembro 31, 2010

As manhãs do Professor J.F.!!!

Sim!!! Eu SEI que estou devendo mais casos por aqui! Confesso que a preguiça anda grande: preciso remodelar esse meu canto, mas é mais fácil reorganizar os do resto da família que o meu. E, o pior, sempre que me lembro de alguma coisa pra contar, vai o meu papai blogueiro e conta, ou, pior, o nosso beagle blogueiro.

Mas ontem eu li uma postagem do meu pai tem contado lá no Blog do JF sobre os seus tempos de professor, em que ele contou sobre o pó de giz. E me lembrei então do trabalho que dava pra acordá-lo de manhã. Vou contar como que era, pra vocês sentirem o drama:

- Paiê, você precisa acordar.
Ele se senta na cama, olha pra minha cara e pergunta:
- Por quê?
- Porque você precisa ir dar aula.
- E por que eu preciso acordar agora?
- Porque a mamãe falou, ué.
- Ah, essa sua mãe é doida, mesmo. - ele disse isso, deitou-se novamente e no segundo seguinte já estava roncando. Eu esperei uns cinco minutos, voltei ao quarto e chamei:
- PAAAI!!! PAAAAI! Você precisa acordar! São sete horas!!!
E ele, pulando da cama:
- JÁ???? E você não me acordou??? Estou atrasado!!!!

Pois é. O meu pai, não contente de falar dormindo, abria os olhos, se sentava, e nos convencia por a mais b porque ele não precisava ser acordado. Ainda bem que eu já sabia disso e insistia. Mas de outra vez, QUASE que ele convenceu a mamãe. O colégio onde o papai dava aulas volta e meia promovia excursões entre os alunos, e os professores que não viajavam ganhavam uns dias de folga. E foi essa a desculpa que o meu pai deu uma certa manhã para não ser acordado pela mamãe. Ela voltou para a cozinha e continuou ajeitando as coisas para o café da manhã, quando se lembrou de um pequeno detalhe, e voltou para o quarto:
- Benhê... beeeenhêêêêê... escuta... você não precisa MESMO ir pra aula? Mas não teve excursão há duas semanas, essa é outra?
- Excursão???? Que excursão???? Que horas são? Eu não posso atrasar, hoje eu tenho que passar uma prova!!!

Ainda bem que os alunos nunca souberam dos sonambulismos de seu professor. Ou choveriam telefonemas lá para casa com avisos de excursões em véspera de prova...

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Um feliz 2011 pra todos vocês!!!!!

quarta-feira, maio 05, 2010

AH, NOS MEUS TEMPOS DE ESCOLA....

Estava aqui pensando que nunca cheguei a compartilhar minhas experiências escolares com vocês. Eu, basicamente, fui uma boa aluna, pois era medrosa demais para aprontar. Mas não deixava de me divertir com o que acontecia em sala de aula.

Essa aconteceu em 1985. Estávamos no 1º Colegial e a nossa turma era daquelas que aprontavam direto. Naquele ano, estudávamos em uma sala num canto do corredor: a porta era no fundo e dava para uma espécie de "hallzinho" de entrada e, para se chegar na mesa do professor, era preciso dar a volta por metade da sala. Um detalhe importante: em determinados pontos dessa sala, mal dava para ver a porta.

E foi exatamente por esse motivo que um colega nosso, que não havia estudado nada para a prova de Geografia, resolveu dar um jeito no assunto: ele esperou todo mundo entrar na sala, incluindo a professora, trancou a porta, embrulhou a chave num papel e jogou pela janela. E foi se sentar lá no fundo, quietinho.

A prova se desenrolou normalmente, até que o primeiro aluno terminou, a entregou para a professora e foi tentar sair da sala:

- Hmmmm... professora... a porta não quer abrir!
- COMO não quer abrir? Claro que a porta abre! Espere que daqui a pouco alguém te ajuda a abrir.

Nisso, outro aluno havia terminado a prova. Ele entregou, foi tentar ajudar, e constatou:

- Professora, a porta está trancada!
- Mas então destranque!
- Não dá... não tem a chave!!!!

Aí foi um desespero total! Nós, por um lado, aflitos por estarmos trancados justo com a professora de Geografia. Ela, por sua vez, desesperada por estar trancada justo com a nossa turma. Quanto ao nosso colega que trancou a sala, esse pôde colar tranqüilamente, no meio da bagunça que ficou.

Lá pelas tantas, com mais de metade da classe tendo terminado a prova, e boa parte do povo fazendo a maior algazarra para chamar alguém pra abrir a porta, finalmente chegou o diretor com a chave, para nos destrancar lá de dentro. E a bronca foi bem grande. Não me lembro se chegou a haver advertência, mas lembro de haver um comentário parecido com "só poderia acontecer com vocês..."

domingo, maio 11, 2008

SER MÃE É...

... passar a semana inteira fingindo que não vê as filhas escondidas para fazer os seus presentes de dia das mães;
... ficar esperando ansiosamente pelo domingo, pra descobrir o que fizeram desta vez;
... ganhar um porta-trecos feito de garrafa de coca-cola que mal cabe em sua mesa, mas que você vai deixar lá atravancando, toda feliz;
... pensar em uma nova arrumação na gaveta do criado-mudo, que já está cheia com a coleção de bilhetes e cartões já ganhos em anos anteriores. E você, portanto, quebra a cabeça para saber o que dá para tirar de lá para caberem mais bilhetes e mais cartões.

SER UMA MÃE BLOGUEIRA É...
... após dizer às filhas que o maior presente de todos foi tê-las, ouvir da caçula que o bom de ser mãe é que elas ganham presentes em dois dias, no aniversário e no Dia das Mães, e que "depois você escreve isso lá no seu blog, né, mamãe?"

E SER MÃE E FILHA AO MESMO TEMPO, O QUE É?...
... é saber com toda a extensão o que é o amor da minha mãe, e ser a pessoa mais realizada do mundo por ser filha dela, uma mulher de 60 anos que até hoje carrega a alma de uma criança e me passou a mesma alegria de viver.

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E, neste Dia das Mães, não poderia deixar de colocar uma homenagem a uma amiga blogueira que já comemorou muitos e muitos dias das mães, não só por ser mãe, como também por ser avó, e bisavó, a querida Maith. No último dia 3, tivemos a felicidade de "materializá-la". Nos próximos dias, comento mais sobre o assunto (não o fiz ainda por falta de tempo de baixar as fotos aqui no computador...

quarta-feira, maio 07, 2008

- SIM, AINDA ESTOU VIVA!!!...

... mas devo confessar que a coisa anda preta em matéria de tempo. Nos primórdios do EEEPA, ainda no Blogger Brasil, eu era uma contabilista frustrada, com horário de trabalho, fins-de-semana livres e etc. Agora sou uma desenhista realizada, sem horários, fins-de-semana, etc. Sabem como é... ou não temos nada de trabalho, ou aparece tudo ao mesmo tempo. Enfim, eu JURO que assim que sobrar uma folga e cérebro faço todas as visitas que estou devendo, tanto aos amigos antigos como aos novos que têm passado por aqui.

Estava aqui pensando no que postar, e me lembrei que esqueci de fazer o repost da terceira parte das telefonices, para quem tem preguiça de procurar nos links. Lá vai, então, tal como foi postado na época, e com um pequeno update:

- TELEFONICES (3ª PARTE) -

Nos tempos atuais, é comum atendermos a três tipos de ligação:

- engano (geralmente por confusão de nossos [des]serviços);
- telemarketing;
- pedidos de doação.
* Update de 08/05: hoje eu diria que há um quarto tipo, os agradáveis telefonemas de cobrança. *

Engraçado, antigamente era mais comum recebermos ligações de trote. Volta e meia, acontecia lá em casa. Eu devia ter uns oito ou nove anos quando aprendi a atender ao telefone e, em uma das primeiras vezes, aconteceu:

- Alô???
- Alô, é do açougue?
- Não...
- Ué, eu pensei que estava falando com o bofe!!!

Pronto!!! Desliguei na cara do engraçadinho. Fui contar para a minha mãe, e ela caiu na gargalhada:

- LUUUUUU!!! Você desligou na cara do seu PAI!!!

OK. Além de ser péssima fisionomista, não reconheço com quem falo no telefone... Mas que culpa tenho eu do meu pai gostar de passar trote lá em casa???

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

LUCIANA E OS ESPORTES...

Sabem aquela pessoa completamente descoordenada para qualquer tipo de esporte, incluindo bolinha de gude, peteca ou uma simples corrida? Aquele ser que não consegue conceber como alguém consegue acertar uma bolinha em uma mesa com uma raquetinha e ainda jogar contra uma outra? Aquele ser que pra conseguir jogar uma bola pra frente em uma roda de vôlei precisa virar de costas? Pois é. Era eu. Diria que, como esportista, eu sempre fui uma ótima desenhista. Não sei correr. Não sei andar de patins. Não sei andar de bicicleta. Não sei pular corda. E não foi por falta de tentativa, para alegria e divertimento de amigos e familiares. Até hoje me lembram da cena famosa de eu tentando me equilibrar em cima de oito rodinhas de patins em um parque e berrando:

- Onde que fica o freio desse troooooooooooooooçoooooooooooooooooooo.... (cataploft)

O meu oposto em relação aos esportes sempre foi a minha prima Maria Paula, 19 dias mais velha que eu, que sempre teve jeito para tudo e nunca se conformou de eu não ter jeito pra nada. E foi assim que um belo dia, lá pelos nossos 14 anos, ela cismou de me ensinar a andar de motocicleta:
- Vamos, Lu!!! É facinho!!! Eu vou sentada na garupa da moto e você me leva!
- Hmmmm.... mas você tem certeza, Má???
- Claaaaaaaro! ATÉ VOCÊ consegue.
- Bom, se é assim... mas você sabe que eu...
- LU!!! Vamos!!! É fácil!!! Eu vou sentada na garupa! Vamos, segure o acelerador.
- Onde que é o acelerador?
- É aí onde você está pondo a mão.... não.... nããããããão.... NÃÃÃÃÃOOOOOOOO!!!!
Bom, foi nesse momento que, após andar meio centímetro eu virei a moto (que era daquelas pequeninas, ainda bem) e, num lance de uma completa inteligência, ainda tentei segurar todo o peso com o pé. Derrubei motocicleta e Maria Paula em cima do meu pé. Minha prima só então lembrou-se do detalhe de que, para se aprender a andar numa motocicleta é preciso antes saber se equilibrar em cima de uma bicicleta. Mas até que foi bacana, porque nas três semanas seguintes, quando vinham perguntar na escola por que eu estava com o pé engessado, eu fazia cara de importante e só respondia:

- Acidente de moto...

segunda-feira, outubro 22, 2007

- RECEITAS PARA UM CASAMENTO EMOCIONANTE...

- NO CIVIL:

Para a coisa ficar bem interessante, convém o noivo tirar carta de motorista quinze dias antes do casamento. E, claro, precisar atravessar a cidade de São Paulo pela primeira vez, levando toda a família no carro junto com ele. Diversão garantida, principalmente se o noivo atrasar mais de meia hora, a noiva pode ficar apavorada achando que ele enfiou o carro em um poste, enquanto o pai e os padrinhos tentam segurar o juiz no cartório (para isso, certifique-se de marcar o casamento no último horário do dia). Depois de o noivo pode chegar verde, e de taxi, por ter rasgado o pneu em um ferro, enquanto tentava estacionar para lembrar o endereço do Cartório...

- NO RELIGIOSO:

Se for um dia bem frio, mesmo estando no final de outubro, melhor!!! A noiva ficará linda saindo do salão do cabeleireiro, maquiada e de véu, grinalda e camisa xadreza.

Para o casamento religioso ter um tempero extra, tenha certeza de que a moça da secretaria se atrapalhou e marcou a data errada, justamente durante a festa anual da igreja. Uma boa época para se descobrir isso é durante o curso de noivos, duas semanas antes e sem possibilidades de adiamento. Isso garantirá que o seu casamento será entre barraquinhas de quermesse, e com a orquestra do Zaccaro tocanto bem na porta da igreja!!!

É claro que o padre deve tirar uma soneca e desaparecer por meia hora (para a noiva -agora já devidamente vestida para a ocasião- ficar lá na porta com todas as crianças olhando pra cara dela). E se, durante o casamento, na hora do "Você Aceita...", ele se atrapalhar e casar a noiva com o sogro, vasos de planta em cima do altar podem ser uma boa escolha para que os padrinhos se escondam para cair na gargalhada.

Terminado o casamento, os noivos não podem se despedir para não correrem o risco de guinchar o carro que os levou à igreja, já que a rua está fechada. A festa no buffet pode ser tranqüila, que ninguém é de ferro, mas é de bom tom o novo casal voltar para casa dirigindo o próprio carro, um voyage velhinho com escapamento furado. Para se lembrar somente então que não entregaram a cama de casal e eles vão ter que se apertar em uma de solteiro, mesmo...

- INDO PARA A LUA DE MEL:

Para arrematar, é muito importante po casal perder o ônibus que os ia levar a Campos do Jordão (porque foi para o lado errado da rodoviária). Assim, eles podem viajar no seguinte, que tem um motorista com peruca preta, que fica pulando bem em frente ao seu banco durante toda a viagem...

- E DEPOIS...

O que, querem mais??? O depois de tudo isso é o feliz casalzinho chegar aos seus treze anos juntos. E poder comemorar e dividir com vocês no dia de hoje...

N.R: Essa história acima foi publicada originalmente em 22/10/04, quando completávamos nosso 10º aniversário de casamento. O que mudou nesses tr~es últimos anos? Nada, além do amor que aumentou cada vez mais!!!

quinta-feira, agosto 16, 2007

LUCIANINHA - A AMANTE DOS BICHOS

Continuando o assunto tratado no último post (para quem ainda não leu e está com preguiça de procurar, é só clicar aqui)...
Não, eu não fiz canja do galo. Só o persegui. Muito. E até fiz amizade com outros de sua espécie, tive inclusive um galo chamado Fava. Não me perguntem o porquê do nome. Deve ser pela mesma razão que a minha filha tem um cavalo de pelúcia chamado Cléis. Coisas de criança. E ponto.
Na verdade, eu sempre fui fã de animais. Desde pequeninha. Tanto que uma vez a mamãe ouviu a minha vozinha lá da cozinha da casa do sítio, conversando toda animada:
- Aaaaaah... mas como "vochê" é "bunitinho"! Cê tá papando, é??? E a sua mamãe... não tá com "vochê"??? Ah, tá sozinho, é??? Cê quer ser meu amigo??? Ah, mas "vochê" é bem fofinho...
Claro que a minha mãe ficou encucada. Quem seria o amiguinho fofinho com quem eu conversava? Curiosa, ela foi até a cozinha, onde, em frente à porta aberta, eu falava calmamente com meu novo amigo que, parado a mais ou menos meio metro de mim, me olhava com cara de espanto. Era um touro enorme. Um touro que tinha ficado cego de um olho de tanto chifrar barranco. Que adorava atacar qualquer coisa que se movesse e fosse maior do que um besouro. Que uma vez havia perseguido a minha avó por todo o pomar e a fez passar o resto da tarde em cima de uma árvore. Sim. Essa doçura de touro me olhava, completamente surpreso, mas não mais do que a minha pobre mãe que, apavorada, me puxou para dentro e bateu a porta na cara dele, debaixo da minha gritaria de protesto.
Não tem jeito. Mãe sempre tem que ser assim meio estraga-prazeres. Mas pelo menos eu estou viva para contar essa história pra vocês...

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Atenção para a nova enquete do EEEPA. Você sabe o que é um diploscópio? Dê a sua opinião na coluna à direita e veja a resposta (no sábado) na próxima segunda-feira. Boa sorte!

terça-feira, agosto 14, 2007

- CASO VERÍDICO...

Férias de verão, 1974. Sítio dos meus avós. Ela apareceu logo de manhã, eu fiquei completamente encantada. Nós duas éramos bem pequenas. Eu, uma garotinha de três anos. Ela, uma minhoca.

Passamos o dia juntas: ela passeou na minha mão, foi balançada na rede, embalada por canções de ninar que eu sabia de cor e salteado. Onde eu estava, a minhoca ia junto... Por fim, ela se cansou um pouco e eu, solícita, resolvi colocá-la um pouco no chão, para descansar as perninhas, ou melhor, o corpinho. Grande erro!!! Estávamos ao lado de um galinheiro, e um galo, em velocidade supersônica, a engoliu...

TRAGÉDIA!!!! Entre lágrimas, saí correndo atrás dele, gritando: "VOCÊ COMEU MINHA AMIIIIIIIIGAAAAAAAAA!!!!"

E esse é o trágico fim do caso de hoje. Quanto ao galo, durante o resto de sua vida ele foi perseguido sempre que eu o via... ou seja, por mais uns doze, treze anos...

terça-feira, julho 10, 2007

POESIA SINGELA

O post de hoje é uma pequena homenagem à poeta maravilhosa que eu já fui aos 13 anos de idade. Vejam que beleza! Olhem que inspiração!!! Depois me respondam sinceramente: eu não era demais???

NÓIS JOGANDO BOLA

Tudo começô
Quando a fessôra ensinô
Nóis a jogá vôlei:
- Vocêis vão aprendê
A jogá o a, bê, cê.
Vocêis joga bola
E só acaba o jogo
No fim do abecedário,
Quando chega a zê.
E nóis foi jogá bola.

Um jogava e falava a,
Ôtro falava bê,
Ôtro falava cê,
Ôtro falava dê,
E daí nóis errava.
Nóis tentava de novo:
A, bê, cê, dê,
E num dava.
Ficamo duas hora,
Aprendemo a jogá
Bem o vôlei.
Mais quando nóis tentava
Jogá o a, bê, cê, dê,
Nóis sempre errava.

Cabô a aula,
A fessôra foi embora,
E nóis jogando bola.

Tava na hora
De í prá casa
E nóis jogando bola.

Nossos pais se preocuparo
Pois nóis num chegava
E nóis jogando bola.

Chegô o dia seguinte,
Os fessôres recramaro
De nóis usá a quadra
E nóis jogando bola.

Passô-se um mêis
Os bedel tentava
Nos tirá de lá
E nóis jogando bola.

Cabô o ano
Todo mundo entrô em féria
E nóis jogando bola.

Se passô mais um ano
Os aluno passaro de ano, também
E nóis jogando bola.

Se passô vários ano,
Os aluno se formaro,
Todos foram trabaiá
E nóis jogando bola.

Eles chegaro aos 40,
Começaro a vivê
E nóis jogando bola.

Eles ficaro véio,
Se aposentaro
E nóis jogando bola.

E o colégio fechô,
Até quisero demolí
E nóis jogando bola.

Todos, já veinho,
Começaro a morrê.
Incrusive nóis e daí num jogamo
Mais bola.

Tudo pur quê?
Por causa da fessôra.
Se tivesse ensinado vôlei
Sem o a, bê, cê, dê,
Nóis parava de jogá.
Pois nóis, tudo anarfabeto,
só sabia o abecedário até o dê.

(poesia modestamente escrita por Luciana Farias, em outubro de 1983 - aos 13 aninhos de idade)

quinta-feira, julho 05, 2007

- CONVERSA DE ELEVADOR...

Este post é em homenagem ao Lino, que abordou sobre esse assunto outro dia, e à Claudia Blue e ao Ricardo, de cujo blog eu "roubei" o nome para o título desta história.

Lá pelo final de 97, a Juliana estava com quase três anos, então resolvemos dar andamento a um projeto antigo. Uma loucura planejada que, em 28 de junho de 1999, passaria a se chamar Vanessa. Acontece que na primeira gravidez eu havia engordado 20 quilos. Aí, fiz um cálculo rápido:
meu peso na ocasião: 90 kg
+ aumento na gravidez: 20 kg
= total depois de 9 meses: 110 kg.

É, não dava... e por essa razão, marquei consulta com uma endócrino e em seis meses baixei o meu peso dos 90 que estava para 58. Ninguém me reconhecia mais na rua. Houve gente até que perguntava se eu era irmã da gorda. O Vagner e eu passamos a brincar com isso, ele dizia que havia me trocado pela cunhada (ah, só esclarecendo: eu só tenho um irmão, aquele do post da Laje).

Enfim. Um dia, Maridão e eu pegamos o elevador do nosso prédio. Como de costume, estávamos de mãos dadas, e aí entrou uma vizinha. Daquelas bem fofoqueiras, sabem como é? E ela me olhou de ponta a ponta, com a cara mais feia do mundo, virou-se para o Vagner e já soltou:
- Nossa, essa moça se parece MUITO com, a sua esposa, como está ela? Nunca mais a vi...
- Eu também não vi mais... - respondeu ele - ...e espero não ver, esta aqui é a irmã, e é bem melhor que a outra.
Gente... a mulher quase teve um troço, ficou branca como cera, e quando nós começamos a rir e ela me olhou de novo, percebeu que eu era eu e ficou completamente sem graça. E foi assim que virei caso do meu próprio marido...

MORAL DA HISTÓRIA: cuidado com o que você conclui, o desenrolar pode se tornar pior do que foi dito!!!

N.R.- Infelizmente nos últimos dois anos a irmã gorda de 90 quilos deu as caras de novo por aqui e está mais ou menos parecida com a imagem da Lu Fariassimpson, aí ao lado (*), apesar de maridão gostar dela de qualquer jeito.

Mas bem que planeja voltar à reeducação alimentar. Quem sabe até chegar a uns 65???

(*) avatar montado no site dos Simpsons, indicação da minha amiga Rê, do Objeto Abjeto.

sexta-feira, junho 29, 2007

NA LAJE...

Este post é uma homenagem ao meu irmão, que finalmente resolveu voltar a blogar. Onde? Em um espaço chamado "Na laje", claro...

Nós morávamos próximos ao centro de São Paulo. Prédio antigo, sem playground na parte de baixo, mas uma laje muito bacana na parte de cima. Era um terração, usado, entre outras coisas, para o pessoal tomar banho de sol, estender roupa ou, no caso do pessoal mais jovem, jogar vôlei, usando um dos varais que dividia a laje de uma ponta a outra como "rede". A nossa turminha era composta por: meu irmão e eu e outros dois casais de irmãos, um que morava no primeiro andar do nosso prédio e o último nossos amigos-irmãos de infância, que a cada dois sábados estavam lá em casa (no outro nós que íamos para a casa deles). Estávamos lá pelos idos de 1980 e meu irmão com franja na testa (*), início da era da geração de prata do Vôlei Brasileiro, então era meio natural que fosse o nosso jogo preferido.
Não sei se já falei aqui, mas sempre fui a clássica "a última na escolha dos times": aquela pessoa que, na aula de Educação física sempre ficava para o final e todo mundo brigava porque ninguém a queria no time. Pois bem. Era eu. Principalmente quando jogava vôlei. O meu saque sempre foi um troço ridículo e minhas manchetes só iam para a frente se eu me virasse de costas. É. Acho que já deu para vocês sentirem o drama. Mas os nossos amigos sempre foram muito dez e me deixavam jogar, na boa. Até nem perdiam a paciência com a minha total falta de jeito! Só davam risadas, mesmo.
Certo sábado à tarde, nos reunimos como sempre na nossa laje. Afastamos o lençol que alguém havia estendido no nosso varal-rede, para não sujar muito, nos dividimos em dois times e começamos a jogar. Fui pegar uma bola com a minha famosa manchete-de-costas e foi aí que aconteceu: em uma jogada com uma força surpreendente, tal qual um saque Jornada-nas-Estrelas, a minha bola voou voou voou e foi parar direto no terraço do prédio vizinho. E fez póim-póim-póim-póim no piche do cara que estava fazendo a impermeabilização da cobertura, e que tinha passado o dia todo alisando o concreto! E, como toda ação gera reação, nós, devidamente escondidos para não levar A BRONCA, vimos o cara ficar vermelho, pegar aquela coisa disforme e cheia de concreto, que há poucos minutos tinha sido uma bola, para então tacá-la doze andares abaixo, bem no meio da Avenida Nove de Julho.
E esse foi o fim de nossa aventura como jogadores no terraço. Não só pela perda da bola, mas por fim pelas reclamações quanto ao estado das roupas que ficavam penduradas lá.

(*) para quem não conhece o meu irmão, a sua área posterior da cabeça começou a ser desmatada lá pelo início dos anos 90. Segundo o nosso pai, o que o Adriano tinha na testa foi parar na barba.

quarta-feira, junho 27, 2007

PLUTO

Continuando o tema, e aproveitando o gancho de alguns dos comentários...

A Juliana devia ter uns dois anos, e entrou naquela fase bonitinha em que quase toda criança não consegue pronunciar o "R" e o "L" do meio das palavras. E aí nós, adultos malvados, pedíamos a todo momento pra ela falar aquela célebre frase: "O Pluto é filho da Pluta". E... bem... vocês já sabem o que saía. Não tem jeito, pai de primeira viagem sempre é meio besta. Com a Vanessa nós já não fizemos a brincadeira. Minto... tentamos fazer, mas infelizmente ela começou a falar muito cedo, e sempre pronunciou esses "Rs" e "Ls". Então, sobrava pra Ju (mesmo porque nessa época a Vanessa nem era projeto de filha ainda):
- Filha, como é mesmo aquela frase?
- O P'uto é fi'a da P'uta.
E aí um belo dia, aconteceu. Nós estávamos dentro de um táxi, e a Juliana já perguntou, bem alto:
- Pai, quando der você arruma um P'uto pra mim? Ah, mas não precisa da P'uta não, porque ela eu vou pedir pro meu Vô Biso me arrumar, mas eu não quero uma igual da Mariana porque a P'uta dela está toda rasgada...
Enfim... achamos que seria melhor parar com a brincadeira dos Plutos e Plutas, mas arrumamos um para ela. De pelúcia, claro.

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UPDATE NADA A VER COM O POST ACIMA: descobri outro dia que o Explorer cria caso com a barra lateral do meu template. Ou seja, quem não usa os firefoxes da vida não vê os meus links, nem foto, nem nada. E, na boa... morro de medo de botar pra atualizar lá na barra do blogger e depois não conseguir mais colocar meu contador. Nem as minhas coisas. Socooooooorrooooo!!! Será que alguém que entende mais que eu pode me ajudar??? Ah, se também souberem como fazer nova versão daqui em três colunas, eu agradeço, de coração!

segunda-feira, junho 25, 2007

LUCIANINHA - post antigo, singelo e bonitinho

Estava com uns quatro anos, e começou a aprender palavras novas com as amiguinhas da escola. Em casa, resolveu colocar algumas em prática e chamou o irmãozinho de "idiota". Nina, a mãe, explicou pra ela que não podia falar assim, que aquela palavra era muito feia. E Luciana não a usou novamente.
Alguns dias depois, Nina entrou no seu quarto e surpreeendeu a filha sentadinha em cima da cama, apontando algumas florzinhas bordadas na colcha, e contando baixinho:
- Puta-puta-puta... puta-puta-puta... puta-puta-puta-puta... puta-puta-puta-puuuuta...
- Que é isso, menina? Não pode dizer isso, é feio!!!
- Por que, mãe??? Não é 'diota...

NR:
1- antes que alguém pergunte: sim, a Lucianinha era eu.
2- post em homenagem à minha amiga Tatiana, que diz não ter coragem de usar certas palavras por aqui... ;-)))

quarta-feira, abril 04, 2007

E, HÁ NOVE ANOS...

Eu estava na sala. A Juliana, na época com três anos de idade, veio me perguntar:

- Na Páscoa a gente "compa" ovo pro "Coêio", né mamãe???
- Peraí, Juliana. Mas quem é que compra o ovo: a gente ou o coelho?
- A gente, ORA!!! "Coêio" não "compa" ovo!!! "Coêio" não tem mão, ele tem pata só pra pular!!!

Tem lógica, não é? Se bem que, independente do preço dos ovos e dos regimes, continuo com o mesmo problema que tenho nesta época: claustrofobia em corredor de ovo de Páscoa. Socooooooooorrooooo!!!