quinta-feira, dezembro 01, 2016

PERGUNTA RETÓRICA

Você sai para chorar com o preço da sua compra no supermercado, a pé. Em um dos trajetos, chove forte.
Essa chuva cai quando:

1- Você está indo para o supermercado, carregando a bolsa e o guarda-chuva;
2- Você está voltando do supermercado, carregando bolsa, sacola, embalagem de papel higiênico que é grande e não cabe na sacola, e o guarda-chuva.

quarta-feira, novembro 30, 2016

Aí você está escolhendo hortaliças no supermercado, quando de repente pensa em alguma frase divertida para o personagem do seu livro. E no momento seguinte percebe que todo mundo está te olhando porque você está sorrindo para as abobrinhas.

É. Vida de futura escritora pode ser complicada, às vezes.

quarta-feira, novembro 23, 2016

CURTINHA

E aí ontem nós precisamos dar uma fugida até o shopping. Na volta, cruzamos com uma mulher que dizia assim para a filhinha:

"Como é que você espera ganhar presente do Papai Noel se você faz questão de se sentar em seu colo para ficar chamando-o de muito chato?"

(Por essas e outras que adoramos fazer tudo o que podemos a pé.)

sexta-feira, novembro 18, 2016

LIGEIRAMENTE DISTRAÍDA - parte 4

Eu sozinha em casa. O telefone toca sem parar, e consigo atender no último segundo antes da linha cair. Era a minha mãe:

- Lu, estava ocupada fazendo trabalho?
- Não, manhê. Eu estava procurando o telefone sem fio.
- E onde que o telefone estava?
- Na base dele, carregando.
- Ih, Lu... desculpa, viu?
- Desculpar o que, mãe?
- Pela hereditariedade. Quanto mais velha, mais parecida você está comigo!

OBS: uma vez a mamãe não entrou em uma rua porque tinha placa de contra-mão. Ela estava a pé.

terça-feira, novembro 15, 2016

Às voltas com o meu livro, ontem resolvi consultar a Vanessa sobre a melhor forma de se tirar um canceriano de uma de suas crises. E ela me explicou:

- Mãe, você tem que entender que nós cancerianos saímos de uma crise sozinhos. Mas não pensando na existência. São coisas nada a ver que te tiram. Como às vezes você está em crise mas de repente pensa em coisas tipo células tronco e isso acaba te deixando muito feliz.

segunda-feira, novembro 14, 2016

Aí você está em uma loja, quando começa a tocar a música do Plantão da Globo.

E você automaticamente dá um pulo e procura onde está a TV ligada pra saber que tragédia aconteceu agora e descobre que é o toque do celular de um cara.

Sério. Determinadas coisas deveriam ser proibidas.

domingo, novembro 13, 2016

Medos bizarros e irracionais de uma mulher de 46 anos

1- Corredor de ovo de páscoa;
2- Descer esteira rolante de hipermercado (principalmente se for a de um Carrefour aqui da região que termina de frente para uma parede).

sexta-feira, novembro 11, 2016

CORRETOR

Enquanto eu trabalho em um livro, maridão tenta mandar uma mensagem de aniversário para uma amiga lá de fora, através do celular.

Ele quer digitar "Happy Birthday"

E o celular já corrigiu, primeiro para "balouçar borracha", e agora para "Happy Borracha".

Da forma como está indo, daqui a uns cinco minutos ele consegue mandar esses parabéns.

quinta-feira, novembro 10, 2016

TÁ NA MINHA AGENDA

Há alguns anos, tive a brilhante ideia de mudar os nomes dos contatos de minha agenda por apelidos que só me lembrassem a quem eu me referia.

Acabei desistindo, porque é claro que acabei me esquecendo das associações que fiz na hora de montar a agenda e cada vez que precisava ligar para alguém tinha que ficar uma meia hora para ligar nome a apelido.

Fiquei meses, por exemplo, para descobrir quem raios era o contato apelidado como "Portuga". Para me lembrar que foi o apelido que dei para o telefone que fica na Portaria do meu prédio - pra onde nunca liguei.

E é por isso, também, que o mistério maior de minha agenda é quem seria essa tal Dona Eunice, cujo nome desconheço totalmente e nem sei com quem eu poderia associar.

AS DESMEMORIADAS

Conversa da mamãe comigo, ontem, ao passarmos de carro do lado de uma empresa:

- Lu, o Rubens trabalha aqui.
- Ah, que legal.
- Hmmm... eu já tinha te falado que ele trabalhava aqui?
- Talvez, manhê, mas se você falou eu esqueci.
- Ah, então agora lembra que eu te contei.
- Tá. Então lembra que dessa vez eu não esqueci.

terça-feira, novembro 08, 2016

HOJE DE MANHÃ...

- Que horas você tem que estar na rodoviária?
- Cedo. Mas não tenho horário fixo.
- Ah é. Você compra a passagem na hora, né.
- Sim. Mas normalmente prefiro comprar o ônibus das 9h30.
- Puxa... todo o ônibus? A gente tá podendo, hem!!!
- Ah! Você entendeu. A PASSAGEM!
- Eu sei. Mas bem que adoro você ser toda errada assim.
- HAHA. Tá bom.
- Por outro lado, seria muito legal você ir comprar o ônibus pra Vinhedo. E aí você chega lá, diz que não gostou muito daquele ônibus e devolve.

(por essas e outras que eu amo esse meu marido...)

domingo, novembro 06, 2016

MINHA CAÇULA, POR ELA MESMA

A Vanessa outro dia, definindo como é seu modo de ver a vida:

Você tem certeza que é completamente maluca quando sua amiga manda uma mensagem falando que sonhou que você tinha um cachorro e todo dia às 9:15 lambia o nariz dele e você percebe que realmente poderia fazer isso, e, pior... sua amiga concorda.

sexta-feira, novembro 04, 2016

- CONVERSAS MATUTINAS -

Enquanto maridão se prepara pra sair pro trabalho, eu vou conversando com ele.

- Sabe, vou dar um jeito de ver mais as pessoas, falar mais com elas...
- É?
- Eu sempre digo que vou. Mas quero parar de enrolar com a barriga.
- Hã... enrolar?
- Não.... EMPURRAR com a barriga.
- É, porque enrolar com a barriga ia ser difícil.
- Agora mais ainda. Há 30 quilos talvez eu conseguisse.
- Não, aí não seria enrolar com a barriga, mas sim ROLAR com ela.
- Ah, é...

******************

quinta-feira, novembro 03, 2016

NA ÉPOCA DA ESCOLA...

Ontem à noitinha, numa pausa em meus trabalhos, fui checar as mensagens e descobri da partida, repentina e prematura, de um colega meu de escola. Nunca chegamos a ser próximos pelo único e exclusivo fato que eu, adolescente super tímida que vinha de 4 anos de uma turma só de mulheres, conseguir interagir com meninos mais ou menos como se fosse fazer contato com extraterrestres.

Mas achava o Sergio um cara muito legal. Era uma daquelas pessoas divertidas, inteligentes, que volta e meia aprontava as coisas mais engraçadas, e com a cara mais séria do mundo. Conseguia levar advertência por estar cacarejando em aula. Outra vez ficou distraindo um colega na janela da sala pelos primeiros 15 minutos de uma aula de Matemática, até o professor perceber e mandar os dois se sentarem. Fazia graça pelas costas dos professores mas quando o pegavam, assumia o que tinha feito. Com tudo isso, ainda conseguia ser nosso monitor de classe.

Um dia, nós tínhamos que fazer uma prova de Geografia. Nossa turma meio que era o "terror" daquele ano, e a professora não gostava muito de dar aula para a gente. Nós, adolescentes, também não tínhamos muita paciência com ela por ter sido professora de metade dos nossos professores. Fizemos a prova da Olga e foi tudo normal até o primeiro aluno terminar. Ele entregou a sua folha para a professora, foi abrir a porta para sair da sala, e...

- Professora, a porta não abre.
- Como não abre?
- A porta está trancada.
- Não, não pode estar trancada. Tentou virar a chave?
- Não dá, a chave sumiu.
- Como SUMIU?
- Não está aqui.
- Ah meu Deus.

Nisso o segundo aluno já havia terminado a prova:
- Professora, a porta está trancada mesmo.
- Então tenta chamar alguém pra abrir!

E começou um desespero geral: estávamos trancados na sala, SEM CHAVE, justo com a Olga, enquanto a Olga se desesperava por estar trancada JUSTO com a gente. Enquanto alguns alunos tentavam chamar a atenção de alguém do lado de fora, pelo vidro da porta, os que iam entregando as provas ficavam aglomerados em um canto. Foi uma confusão geral, que só terminou uns 15 minutos depois com um funcionário da escola abrindo a porta e nós levando um baita "sabão" do diretor do prédio, pois "é claro que isso TINHA que acontecer com o Básico G".

Depois que soubemos. O Sergio queria colar na prova. E, pra isso, bolou um plano: esperou alunos e professora entrarem na sala, disfarçadamente trancou a porta e jogou a chave pela janela. Conforme foi se armando a confusão, como ninguém prestava atenção em mais nada, ele conseguiu colar com toda a tranquilidade do mundo.

É, cara... você foi inesquecível. Obrigada pelos momentos em que, mesmo sem saber, me fez rir muito.

segunda-feira, outubro 31, 2016

LIGEIRAMENTE DISTRAÍDA- parte 3

Aí maridão chega em casa. Nós estamos fazendo um trabalho em conjunto. E eu pergunto pra ele:
- Só fiquei em dúvida na cor que eu pinto a asa. Se faço em branco ou pinto cor de asa de pássaro.
E o Vagner:
- É bom você pintar a asa com cor de asa de pássaro. Mesmo porque cor de asa de peixe eu nunca vi.
Programação para o dia: trabalhar muito.

Você coloca uma roupa confortável (vantagem de se trabalhar em casa) e uma seleção de músicas legais no player do seu computador para poder te inspirar.

Aí o pessoal do Aeroporto de Congonhas resolve inverter as pistas, e você não consegue ouvir nada da sua playlist porque tem avião decolando por cima da sua cabeça a cada dois minutos.

- FIM -

domingo, outubro 30, 2016

TÍPICA TARDE DE DOMINGO

Saio com a Juliana e a Vanessa logo após o almoço até o shopping aqui perto, para procurarmos um lápis de olho branco para uma festa de Halloween que a Nê vai ter amanhã cedo.

Na caminhada de ida, vamos em meio a um devaneio sobre o que fazer para manter o Roberto Carlos vivo e assim não corrermos o risco da humanidade ficar eternamente empacada no ano em que não houver mais o especial de fim-de-ano do Rei.

Na volta, resolvo entrar no Pão-de-Açúcar para comprar material pra uma sopa. Enquanto passando as minhas compras, a Vanessa olha pro lado de fora do supermercado. Quando se vira para o meu lado, a caixa olha para ela, ri, e me diz qualquer coisa sobre "sua filha" e "Flashback". Nenhuma de nós entende o que a caixa quis dizer, mas em todo caso sorrimos de volta.

- FIM -

sábado, outubro 29, 2016

LIGEIRAMENTE DISTRAÍDA -parte 2

Aí eu passo a manhã de sexta completamente envolvida em um trabalho. Olho no computador: já passou de uma. A Vanessa ainda não chegou da escola e, pra variar, não mandou mensagem avisando que vai se atrasar.
Vou para a cozinha pra começar o almoço. No caminho, vejo a porta do banheiro fechada, e a Juliana usando o notebook, sentada à mesa da sala. E aí eu pergunto:

- Ju! Quando que a sua irmã chegou da escola?
- Hmmm... ontem?
- Hã?
- Mãe. A Vanessa não teve aula hoje.
- Ah é...
- Nós tomamos café da manhã todos juntos.
- Ah... é mesmo.

Nota mental: preciso aprender a desligar o meu botão de piloto automático quando não estiver trabalhando.

quinta-feira, outubro 27, 2016

ONTEM À NOITE

Há anos, temos o hábito de só abrir a porta com a chave quando não há ninguém em casa. O normal é tocarmos a campainha, pois é sempre mais gostoso ser recebido por nossos amados.

Normalmente quem abre a porta à noite para o Vagner sou eu, mas ontem a Vanessa estava ouvindo música na cozinha (por ser o lugar mais fresco do apartamento), e acabou recebendo o pai antes de mim. E já começou a conversa:

- Pai, eu estava pensando...
- O que, Vanessa?
- Que seria muito legal se o vinho suave, só se chamasse suavinho.
- Mas não dá. Esse nome fica com duplo sentido.
- Eu sei que fica, mas aí é mais legal ainda.
- Não é, Vanessa.
- É sim, pai! Você chega no restaurante e só pede: "eu quero um Suavinho". Já pensou???
- Já pensei que você não existe, mesmo.

Não importa. Seja aos 17 de agora ou aos 4 de antigamente. A Vanessa sempre vai ser inspirada.

domingo, outubro 23, 2016

LIGEIRAMENTE DISTRAÍDA...

E aí eu precisava ir verificar se a água da panela de arroz estava fervendo e quando percebi já tinha aberto a garrafa térmica e e ia jogar todo o café na pia.

Isso porque outro dia quase perdi uma ligação da minha mãe porque fiquei procurando o telefone sem fio, que estava na base. E ainda ganhei um pedido de desculpas, por estar ficando cada vez mais parecida com ela.

sexta-feira, outubro 21, 2016

HISTORIETA

Manhã numa rodoviária, no interior de São Paulo. Enquanto espero o ônibus para a Capital, um palhaço de roupa bem amassada, com chupetas de carnaval penduradas no pescoço e carregando uma maleta de executivo fala sobre sua descrença na política e que rasgou o seu título de eleitor depois que a prefeitura cortou a verba para a visita de palhaços a hospitais. Chega uma família com uma menina pequena, o palhaço esquece da política para brincar com a criança. Improvisa uma música pra ela, saca uma bomba de ar e bexigas de sua mala de couro e improvisa uma maçã do amor.

Minha condução chega, e eu penso que adoraria estar com meu irmão nesta viagem de volta, pois normalmente é com ele que acontecem essas passagens. Creio que passaríamos um tempo conversando sobre toda a simbologia da coisa.

segunda-feira, outubro 17, 2016

SÁBADO DE MANHÃ.

Estou no salão, prestes a dar um trato em meu cabelo, quando meu celular começa a vibrar furiosamente e aparecem na tela mensagens da Vanessa: "MANHÊ" "Socorro" "Pelo amor de Deussssssssss" e "Responde mulher". Confesso que sou meio apavorada, então me esqueço que não só a minha filha já está com 17 anos como está em casa com a irmã de 21. Ligo correndo pra ela antes de começar a lavar o cabelo, e em meio a barulhos de secadores e conversas externas mal e mal consigo entender pelos gemidos da Vanessa do outro lado do celular que ela foi esticar o braço, deu mal jeito na omoplata e queria saber algum exercício de alongamento pra melhorar a dor.

Falo de alguns vídeos que me lembro, desligo o telefone, lembro de outros, mando os nomes por mensagem e vou lá começar a minha tintura. Aparentemente a minha bolsa parou de apitar, então acho que os exercícios deram certo. Aí enquanto espero a meleca no meu cabelo fazer efeito dou outra checada no celular e vejo que tem nova mensagem, dessa vez da Juliana:

"Mãe, a Nê não tá conseguindo fazer o alongamento por causa da dor, então pensei numa compressa de gelo mas lá fala pra deixar no freezer por duas horas então não sei o que fazer."

"Ju, não precisa ser 2 horas. Deixa lá só pra gelar um pouco. E qualquer coisa tenta desgrudar a forma de gelo da geladeira, aí coloca em uma sacola de plástico e enrola em uma toalha. Aí na volta seu pai e eu passamos na farmácia e compramos salompas pra ela usar á noite."

"Ok"

Passam-se uns minutos e chega nova mensagem da Juliana:

"Mãe, vou tentar desgrudar a forma, mas não garanto nada. Aquilo já virou parte da geladeira."

E aí o Vagner e mais parte do salão fica olhando pra minha cara enquanto eu olho pro meu celular e gargalho descontroladamente.

terça-feira, outubro 04, 2016

Aquele dia em que sua filha te manda mensagem no celular lembrando que vem com um bando de colegas pra almoçar em casa e passar a tarde fazendo trabalho e logo em seguida o seu zelador te interfona avisando que vai desligar a água do prédio da uma até as três da tarde.
Vou lá no canto chorar um pouco e depois eu volto.

quinta-feira, setembro 29, 2016

ONTEM...

Início da manhã. Você está lá no tanque, lavando os potes dos seus bichos e começa a tocar o telefone. Larga tudo, seca mão, corre pra atender. E começa a gravação: "27272 guarde bem esse núme..." Desliguei mas captei a mensagem, digníssimo candidato a vereador que não quero nem saber quem é.
Adivinhem quem COM CERTEZA não vai levar o meu voto no próximo domingo.

sábado, outubro 03, 2015

MALITOLA

Em meu perfil do Facebook gosto de exercer o meu lado "criança de 45 anos", "terapia" que me relaxa e me deixa com mais disposição para cuidar de assuntos mais sérios fora da internet. Todo mês de outubro, brinco com fotos antigas e aproveito para contar histórias de minha infância. Apesar de não ter mais ninguém comentando neste meu canto, eu tenho muito carinho por ele. Sendo assim, copiarei aqui as histórias que vou compartilhar lá no Face.

Vamos à primeira, quando eu tinha mais ou menos a idade em que estou nessa foto.

Passei a grande maioria dos finais de semana da minha infância no sítio dos meus avós, em Itatiba. Boa parte da viagem pela Rodovia Anhanguera, com suas duas únicas pistas. Na década de 70 tínhamos bem menos carros que hoje em dia, mas mesmo assim muitas vezes pegávamos um congestionamento enorme.

Eu sempre tive muito problema de enjoo e quando pequena era pior. Tínhamos um pediatra maravilhoso, o Dr.Saldiva que, consultado pela minha mãe, receitou um bom remédio para o meu problema: distração. "Vocês gostam de cantar, não é? A Luciana gosta de música, certo? Cantem durante a viagem que ela não vai enjoar." E assim tínhamos todo um repertório, que passava pelas músicas dos Demônios da Garoa, todas as infantis, "My Bonnie Lies Over the Ocean" e outras coisinhas. Desde que cantássemos sem parar, eu não enjoava. E viajávamos em paz.

Ou quase.

Porque em um determinado fim de tarde, eu lá com meus dois ou três anos, consegui voltar chorando sem parar quase que todo o trajeto Itatiba-São Paulo em uma viagem pra lá de congestionada. Tudo isso porque eu queria que a minha mãe cantasse a "Malitola". É claro que ela não fazia ideia a que música eu estava me referindo e foi tentando todas que sabia. A cada música que ela errava, eu chorava mais alto. Existe uma lei do destino que diz assim: "se em uma viagem pra lá de longa sua filha resolver chorar por conta de uma música que você desconhece, você só descobrirá a bendita música no final de sua viagem." Já havíamos entrado em São Paulo quando a mamãe descobriu. Já em desespero, ela começou:

- Um pobre pelegrino que anda de porta em porta pedindo uma esmola, pelo amor de Deus...
- É essa, mamãe!!! A Malitola!
- Mas onde tem Malitola, Lu?
- Ué, mamãe: um pobe peleguino que anda de póta em póta pedindo "Malitola" pelamôdeDeus.

Porque, pela minha lógica de criança pequena, eu amava a música que era em homenagem à minha prima Maria Paula, ou "MaliPola", como eu conseguia chamá-la.

Para quem ficou com pena de meus pais, anos depois eles foram vingados. Outra lei do destino é que o que aprontamos durante nossa infância será retribuído no futuro, através de filhos, sobrinhos, netos, etc. E nós sofremos em umas duas horas de congestionamento entre o bairro de Vila Olimpia, Zona Sul, e Vila Formosa, Zona Leste, com a nossa filha mais velha chorando a plenos pulmões que queria que nós tocássemos a música dos moços com as pessoas felizes. Que, depois de quebrarmos muito a cabeça, descobrimos que era "Shinny Happy People" do R.E.M.